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Ah, aquela boca!


Antônio ficou de queixo caído quando viu aquele monumento em forma de mulher entrar no banco onde ele trabalhava e se posicionar no final da fila. Depois daquela visão, que para ele era a personificação divina, Antônio não conseguiu mais prestar atenção em seu trabalho. Sua atração por aquela mulher foi tanta que ele já não conseguia nem disfarçar a sua ansiedade e conforme a fila ia andando e ela se aproximando cada vez mais dele, ele pode admirar com riqueza de detalhes o seu corpo. Antônio já havia visto várias mulheres bonitas passarem por ele naquele banco, mas sem sombra de dúvidas, nenhuma delas se comparavam àquela garota, com aquele corpo cheio de curvas, seios firmes, quase saltando para fora do decote generoso de sua blusa vermelha, isso sem esquecer de mencionar seus cabelos loiros e cacheados e a sua boca.

Ah, aquela boca!

Depois que Antônio viu aquela boca carnuda, bem desenhada e destacada por um batom vermelho que contrastava com a sua blusa, ele sentiu uma vontade incontrolável de beijá-la e sabia que só se realizaria se conseguisse provar o gostinho daqueles lábios provocantes que, de tão belos, deixaria a Angelina Jolie se mordendo de inveja; isso que para Antônio, a Jolie tem os lábios mais lindos do mundo.

Antônio decidiu então que não perderia mais tempo, afinal ele sabia que não era de se jogar fora e tinha uma lábia capaz de conquistar até a mais recatada das freiras, isso se ela tivesse aquela boca. Só que para isso acontecer ela teria que passar no seu guichê. O rapaz então contou e notou que a moça era a quinta da fila, e ele trabalhava com outros dois colegas. O jeito seria demorar com a próxima cliente e esperar que seus colegas atendessem os demais torcendo para que fossem rápidos com aquilo.

Antônio chamou então uma senhora que estava no início da fila e começou a atendê-la, enquanto seus colegas chamaram respectivamente os dois próximos. Sobrou então um homem antes da sua musa. Antônio torcia para que alguém terminasse logo e chamasse o próximo da fila, mas até isso conspirou contra ele, pois todos estava demorando demais e, mesmo já tendo terminado de atender a cliente, Antônio precisou segurá-la em seu guichê e isso começou a deixá-la impaciente e, envergonhado com aquela situação, o bancário se desculpava colocando a culpa no sistema, mentindo que ele estava sobrecarregado.

Finalmente, depois de alguns angustiantes minutos, um de seus colegas chamou o próximo da fila e, sem perder mais tempo, Antônio entregou o dinheiro sacado pela cliente junto com o cupom e, antes mesmo que ela saísse do guichê, ele tratou de chamar logo a sua diva loira de lábios rubros antes que outro o fizesse.

Enquanto a garota desfilava lentamente em sua direção, Antônio salivava de tesão, ajeitando a gravata para ficar mais apresentável. [...]


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