Chay - O Prêmio Mais Cobiçado do Leilão na Only Boys

Chay (Imagem criada por inteligência artificial)
O ar matinal estava impregnado com o cheiro metálico de chuva iminente, uma umidade que parecia pesar sobre os ombros de Carlos enquanto ele caminhava pelas ruas silenciosas do bairro. Seus passos ecoavam no asfalto, compassados pela dúvida que martelava em sua mente desde a noite anterior. Ele tateou o bolso da jaqueta, sentindo as bordas rígidas do cartão que parecia queimar contra sua pele.
Finalmente, ele estancou. [...]
Engolindo em seco, ele estendeu a mão e pressionou a campainha. O som pareceu reverberar muito além do portão, sumindo nas profundezas do terreno.
— Pois não? — A voz que emergiu do interfone era granulada pelo tempo, mas carregava uma doçura autoritária, típica de quem já viu muitas estações passarem.
Carlos pigarreou, tentando limpar a incerteza da garganta.
— Bom dia... — ele começou, a voz oscilando entre a polidez e o absurdo da situação. — Eu peço desculpas pela intrusão. É difícil de explicar, mas um senhor me abordou na rua ontem à noite. Ele não disse muito, apenas me entregou este cartão e insistiu que eu viesse até este endereço.
Houve um breve silêncio, apenas o chiado estático do aparelho preenchendo o ar. Carlos abriu a boca para se justificar novamente, mas o clique metálico da trava eletrônica o interrompeu. Sem um aviso sonoro sequer, o pesado portão de ferro começou a retroceder, deslizando suavemente sobre trilhos ocultos com um zumbido quase imperceptível.
O rapaz recuou um passo, pego de surpresa pela prontidão do convite. Ele olhou para o interior — um jardim vasto e sombreado por árvores centenárias — e sentiu um calafrio percorrer a espinha. [...] O trajeto, de aproximadamente cem metros, serpenteava entre maciços de azaleias e árvores de copas densas, cujas sombras dançavam sobre o solo conforme o vento matinal soprava. Ao final da vereda, a mansão se revelava em toda a sua imponência: uma construção de linhas clássicas e janelas altas, que pareciam observar sua chegada com uma sobriedade aristocrática. [...]
Antes que sua mão pudesse alcançar a campainha de bronze, o som pesado de dobradiças bem lubrificadas anunciou a abertura da porta principal. O homem da noite anterior surgiu no batente, agora despido do mistério das sombras. Sem o blazer preto, ele vestia uma camisa de linho claro, mas mantinha a mesma aura de controle absoluto.
— Seja bem-vindo, meu rapaz — disse ele, com um sorriso que não chegava a ser caloroso, mas era perfeitamente polido. — Devo admitir que a pontualidade é uma virtude que eu já não esperava encontrar. Que bom que resolveu aceitar o meu convite.
O homem deu um passo lateral, um gesto elegante que convidava Carlos a cruzar o limiar entre o mundo que ele conhecia e o que acabara de descobrir.
Espalhados pelos sofás de couro legítimo, como estátuas de mármore em repouso, estavam três jovens. Eles não vestiam ternos ou roupas de grife, mas apenas cuecas boxer brancas, as peles bronzeadas contrastando com a claridade do ambiente. Havia uma espécie de indiferença ensaiada em seus corpos relaxados, uma estranha mistura de conforto e exposição.
— Esses rapazes também são profissionais — a voz do anfitrião surgiu logo atrás de Carlos, baixa e carregada de uma satisfação paternalista. — Assim como você, eles conhecem o peso do asfalto de Florianópolis e a humilhação de lutar por tostões sob a chuva. Mas o tempo da escassez acabou para eles. Agora, são meus protegidos.
O homem caminhou até o centro da sala, indicando o grupo com um gesto largo.
— Eles integram um cast rigorosamente selecionado. São a elite de um mercado que poucos têm o privilégio de acessar. E você possui a matéria-prima necessária para ser a joia dessa coleção, se assim desejar.
Carlos permanecia imóvel, o silêncio pesando mais que o ar úmido da rua. Suas mãos, enfiadas nos bolsos, estavam suadas. O contraste entre a sujeira das esquinas e a brancura imaculada daquelas cuecas e sofás o deixava zonzo.
A atmosfera na sala mudou drasticamente. O silêncio contemplativo de Carlos foi rompido pelo movimento coordenado dos três jovens, que se levantaram dos sofás com uma naturalidade predatória. Eles caminharam em direção a ele, reduzindo o espaço pessoal até que o cheiro de sabonete caro e pele aquecida substituísse o frescor do jardim.
— Quem é esse, Boss? — A pergunta veio do rapaz que se posicionou bem à frente de Carlos. Ele era um moreno de traços marcantes, com olhos verdes que pareciam emitir um brilho magnético. Seus cabelos eram cortados rentes, destacando uma mandíbula esculpida, e o corpo, moldado por horas de treino rigoroso, movia-se com a confiança de quem conhece o próprio valor estético.
— Esta é nossa nova aquisição — respondeu o anfitrião, cruzando os braços com um olhar de quem exibe um troféu recém-conquistado. — O que vocês acharam?
O moreno, que parecia ser o porta-voz informal do grupo, inclinou a cabeça para o lado, examinando Carlos com uma objetividade clínica.
— Parece legalzinho — comentou ele, contornando Carlos como se avaliasse a estrutura de um móvel antigo. — Mas precisaríamos conferir o material completo para termos certeza se serve para o padrão da casa.
— Concordo com você, Rick! — exclamou o chefe, cujos olhos agora brilhavam com uma expectativa gélida. Ele se voltou para Carlos. — Você pode tirar a roupa para que possamos conferir os seus atributos?
O sangue subiu ao rosto de Carlos, tingindo suas orelhas de um vermelho vivo. A segurança que ele tentara manter desde que cruzara o portão vacilou sob o peso daquele pedido direto.
— Aqui? — ele gaguejou, sentindo-se subitamente pequeno sob os tetos altos da mansão. — Agora?
— Deixa de firula — cortou o segundo rapaz, aproximando-se com um sorriso enviesado. Ele era mais magro, de cabelos loiros com uma franja que caía sobre olhos de um azul gelado. Seu corpo, embora menos musculoso que o de Rick, exalava uma malícia cínica. — Tenho certeza de que você já tirou a roupa para muitos homens em condições bem piores. Vamos, mostre o que você tem de bom a oferecer. Não seja tímido logo agora.
Sentindo-se acuado por aquele assédio multifacetado, Carlos percebeu que a recusa poderia significar o retorno imediato à calçada fria. Com os dedos pesados e o coração batendo contra as costelas, ele começou a se despir. Cada peça de roupa que caía no tapete persa parecia despojá-lo de uma camada de proteção, deixando-o vulnerável àquela inspeção pública. O alvoroço entre os novos colegas era palpável; trocavam olhares e sussurros enquanto a nudez de Carlos era finalmente revelada.
Já totalmente nu, ele permaneceu estático, tentando manter uma dignidade impossível enquanto era examinado minuciosamente, como uma peça de mercadoria sendo conferida após o descarregamento.
— Eu gostei — sentenciou Rick, quebrando o silêncio após uma longa pausa, os olhos verdes percorrendo cada linha do corpo do recém-chegado.
— Eu também — concordou Tony, o loiro, com um brilho de interesse renovado. — Se precisarem de alguém para ensinar o ofício e os protocolos da casa a ele, eu me voluntario agora mesmo.
— Tenho certeza de que ele já sabe trabalhar direitinho, Tony — interveio o terceiro garoto, que até então se mantivera em um silêncio observador. Na opinião de Carlos, ele era o mais belo do trio. Parecia ser o mais jovem, um moreno de cabelos castanhos-claros raspados na nuca e olhos cor de mel que carregavam uma profundidade melancólica. Seus lábios eram carnudos e o braço direito era totalmente coberto por uma tatuagem complexa que serpenteava pelo bíceps definido até o pulso.
O olhar desse último rapaz encontrou o de Carlos por um segundo, e houve ali um lampejo de compreensão mútua, um reconhecimento silencioso de que, naquela mansão, a beleza era a moeda de troca, mas a alma era o que se deixava na porta de entrada.
O som de passos firmes sobre o assoalho de madeira anunciou a chegada de uma nova figura, interrompendo o escrutínio dos jovens. Uma senhora de aproximadamente sessenta anos, vestida com uma sobriedade impecável que contrastava com a nudez na sala, surgiu no arco da porta.
— Com licença, senhor! — a voz dela era a mesma que Carlos ouvira pelo interfone: calma, rouca e tingida por uma autoridade silenciosa.
O susto percorreu a espinha de Carlos como uma descarga elétrica. Em um reflexo instintivo de pudor, ele se curvou e apanhou a primeira peça de roupa que encontrou no chão — sua camiseta desgastada —, pressionando-a contra o corpo para cobrir o sexo.
— Fique tranquilo, rapaz! — interveio Boss, soltando uma risada seca ao notar o desespero do jovem. — Em mais de trinta anos trabalhando nesta casa, a Tônia já viu mais paus do que você verá em toda a sua vida. Ela é parte da estrutura deste lugar.
O anfitrião deu um passo à frente, gesticulando em direção à governanta, mas logo hesitou, como se um detalhe trivial tivesse lhe escapado.
— Tônia, este é o nosso novo garoto... — Boss interrompeu a frase, ficando pensativo por um segundo antes de se voltar para o jovem: — Qual o seu nome mesmo?
— É... C-Carlos — respondeu ele, a voz falhando sob o peso do nervosismo e da humilhação de estar seminu diante de uma senhora.
— Esse é seu nome de batismo?
— Sim.
— Então precisamos mudar — advertiu Boss, com o tom de quem corrige um erro de digitação em um contrato importante. — Aqui todos usamos pseudônimos. É uma questão de mística, de marca. Inclusive a Tônia, que escolheu esse nome em homenagem a uma grande dama do teatro e da TV brasileira. Até hoje nem eu imagino qual seja o nome verdadeiro dela.
Boss aproximou-se novamente, circulando Carlos com um olhar clínico, avaliando não apenas os músculos, mas a aura que o rapaz emanava. Após um silêncio dramático, ele estalou os dedos.
— Bom. Acho que, de hoje em diante, podemos lhe chamar de Chay. Tem uma sonoridade leve, moderna. O que me diz?
— Por mim... tudo bem — concordou o rapaz, agora batizado sob as regras daquela casa. Chay. O nome soava estranho em seus lábios, como uma pele nova que ainda não se ajustara ao corpo.
— Perfeito! — Boss voltou sua atenção para a governanta, que aguardava pacientemente. — Você queria me dizer o que mesmo, Tônia?
— Ligaram do gabinete do governador, senhor. Confirmaram a presença dele no coquetel desta noite.
Os olhos de Boss brilharam com uma centelha de ambição.
— Excelente! — vibrou ele, a energia na sala mudando instantaneamente de curiosidade para urgência. — Rapazes, deem um trato no nosso novo colega. Quero ele impecável. Tenho certeza de que o governador fará questão de conhecê-lo pessoalmente.
— Pode deixar, Boss! — respondeu Rick, já se adiantando com um sorriso predatório.
Em um movimento coordenado, os três rapazes cercaram Chay. Rick e Tony o seguraram pelos braços, guiando-o — ou melhor, arrastando-o — em direção à imponente escadaria de mármore que levava ao andar superior.
— Esperem! As minhas roupas... — Chay tentou argumentar, olhando para trás e vendo seus pertences espalhados pelo chão como restos de um naufrágio.
— Esquece esses trapos — cortou Tony, enquanto subiam os degraus. — Eles pertencem ao Carlos. E o Carlos não mora mais aqui. De agora em diante, nada do que você possui combinará com o seu novo estilo.
Chay subiu as escadas sentindo o frio do mármore sob os pés descalços, enquanto a porta da sala de estar se fechava lá embaixo, selando de vez o mundo que ele deixara para trás. [...]
Boss entrou no quarto com a confiança de quem governa cada centímetro daquela mansão, seus olhos movendo-se rapidamente para avaliar o progresso da transformação.
— Como estão se saindo com o nosso novo colega? — perguntou ele, aproximando-se da penteadeira. Ele parou às costas de Chay, pousando as mãos nos ombros do rapaz enquanto observava o trabalho de Todd através do espelho.
Tony, que estava encostado na parede, deu um sorriso de satisfação.
— Você nem vai reconhecê-lo depois do trato que estamos dando nele, Boss. O potencial estava lá, só precisava de uma lapidação de mestre.
— Ótimo! — o chefe assentiu, visivelmente satisfeito com o que via. Ele então desviou o olhar para o rapaz tatuado. — Paco, vim avisá-lo que você tem um cliente agendado para daqui a uma hora. Um atendimento externo. Te passei os detalhes e o endereço por mensagem.
— Beleza, Boss! — Paco descolou-se da parede, a empolgação brilhando em seus olhos cor de mel. O trabalho externo era sempre uma oportunidade de lucros maiores. — Vou só me vestir e já estou a caminho.
Ele caminhou até a porta, mas parou antes de sair para lançar um último olhar ao novato.
— À noite vejo como ficou o resultado final da sua transformação, Chay. Tente não quebrar muitos corações logo no primeiro dia — finalizou Paco, piscando o olho de forma cúmplice antes de desaparecer pelo corredor.
Boss voltou sua atenção para os que restaram no quarto. O tom de sua voz tornou-se mais diretivo, estabelecendo o cronograma para as próximas horas.
— Depois de concluírem o corte aí, levem-no à minha suíte — informou aos outros rapazes. — Deixei algumas peças de roupa separadas para ele vestir. Quero que ele se acostume com o toque dos tecidos que passará a usar.
— Pode deixar, Boss! — respondeu Todd, sem desviar os olhos das tesouras. Ele agora trabalhava nos acabamentos da nuca de Chay com uma precisão cirúrgica.
O silêncio retornou ao quarto, mas era um silêncio diferente — carregado de expectativa. Chay observava Boss sair e sentia que o cerco estava se fechando. O "Carlos" da noite anterior parecia agora uma lembrança distante, uma sombra que ia sendo varrida para fora daquela suíte junto com os restos de cabelo loiro que Todd empurrava para o chão. Ele estava prestes a vestir as roupas de um homem que não conhecia, para agradar pessoas que ele mal podia imaginar.
O reduto do chefe cheirava a poder — uma combinação de fumo caro, couro e malte penetrante. Assim que entrou, Chay estancou. No centro da sala, o Boss o esperava. Estava nu, relaxado em uma poltrona de couro, girando lentamente um copo de cristal onde o uísque capturava o reflexo das luzes embutidas.
A visão atingiu Chay como um soco no estômago, mas um soco carregado de eletricidade. Se antes o garoto já o achava atraente, a nudez do homem de quarenta e sete anos elevava a tensão a um patamar insuportável. Boss possuía um corpo perfeitamente esculpido, onde a maturidade se manifestava em músculos densos e uma cobertura rala de pelos que serpenteava pelo abdômen. Seus olhos castanhos, fixos no jovem, eram como brasas que pareciam queimar o tecido do roupão.
— Tira — ordenou Boss, a voz seca, num tom que não admitia réplicas.
Chay obedeceu. O roupão deslizou pelos ombros e caiu no carpete como uma pele morta. Boss levantou-se, movendo-se com a elegância de um predador que domina seu território. Ele caminhou até o rapaz e, primeiro, avaliou o trabalho de Todd, passando os dedos pelos cabelos agora sofisticados de Chay. Em seguida, contornou-o e abraçou-o por trás. O contato da pele quente do homem contra a sua fez o sangue de Chay latejar. Ele sentiu o membro de Boss enrijecer contra suas costas, uma promessa de poder que o fez arfar.
As mãos do chefe deslizaram pelo peito de Chay, sentindo a firmeza dos músculos e a rapidez dos batimentos cardíacos, descendo pelo abdômen até alcançarem o sexo do garoto, que já pulsava de desejo. Boss masturbou-o com firmeza, um prazer que arrancou gemidos baixos de Chay.
— Em outros tempos eu já o teria possuído aqui mesmo — sussurrou Boss, o hálito quente de uísque roçando a orelha do rapaz.
— E o que o impede de fazer isso agora? — Chay perguntou, a voz entrecortada.
— A minha ética — respondeu Boss, soltando-o subitamente.
O pragmatismo do empresário falara mais alto. Chay era um investimento, uma mercadoria de luxo que renderia fortunas se entregue intocada e misteriosa aos "barões". Boss caminhou de volta à poltrona, deixando Chay ofegante e frustrado no meio do quarto.
— Vista-se — ordenou, indicando com a cabeça o traje esticado sobre a cama.
Chay vestiu-se sob o olhar devorador do patrão. O smoking slim preto, usado sem camisa, moldava seu corpo de forma provocante e cara. Diante do espelho, ele viu um estranho: um homem que exalava perigo e sedução.
— Perfeito! — disse Boss, surgindo novamente atrás dele. — Você será o centro das atenções.
Chay virou-se, encarando-o com uma audácia que a rua lhe ensinara. Agarrou o membro do chefe, sentindo-o pulsar sob seus dedos.
— Tem certeza de que quer me guardar para os outros? — provocou, intensificando o toque. — Desde os meus quinze anos, só conheço o sexo por obrigação. Jamais senti esse desejo... essa atração que sinto por você agora.
Boss sentiu a respiração acelerar, o coração batendo contra as costelas, mas a máscara de controle não caiu.
— Você está aqui a trabalho, Chay — disse ele, afastando a mão do garoto. — Nesse ramo, o dinheiro vem antes do prazer.
— Eu percebo o quanto você me deseja também — retrucou Chay, confuso com a resistência. — Caso contrário, não teria me esperado assim, pelado.
Boss caminhou até a porta da suíte, abrindo-a com um gesto final.
— Não confunda as coisas. Aqui, andar sem roupa faz parte do cotidiano. Todos são livres para se sentirem confortáveis. Eu estava pronto para o banho, apenas isso. Agora, se me der licença, preciso terminar de me aprontar.
Chay atravessou a porta em silêncio, o rosto ardendo de constrangimento e desejo não saciado.
— Junte-se aos outros — concluiu o chefe antes de fechar a porta. — Eles o instruirão sobre como se comportar diante dos nossos convidados.
Do lado de fora, Chay respirou fundo, ajustando o paletó. Ele acabara de aprender a lição mais importante da mansão: ali, até a luxúria era uma moeda que precisava ser gasta com sabedoria.
[...]
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